
RETOMADA
Memórias Indigenistas no Nordeste: uma mirada sobre o acervo do CIMI de 1978 a 1988
A narrativa do livro se tece a partir do entrelaçamento de três fios condutores — território, memória e arquivo.
O livro é resultado de quinze anos de trabalho do projeto Memórias Indigenistas no Nordeste, em parceria com o Cimi-NE, dedicado à salvaguarda e pesquisa do acervo documental da instituição — fotografias, gravações sonoras, material audiovisual e recortes de jornal. A partir de 2011, esse trabalho envolveu identificação, catalogação, digitalização e conservação de milhares de itens, incluindo oficinas de catalogação coletiva realizadas com sete povos indígenas.
O primeiro fio, território, orienta o próprio recorte temporal do livro, que acompanha o arco da mobilização indígena pela terra no Nordeste: da imagem mais antiga do acervo, que retrata a retomada do povo Xokó em 1979 na Ilha de São Pedro (SE), até o processo da Assembleia Nacional Constituinte, entre 1987 e 1988, quando essa mobilização alcança repercussão nacional na conquista de direitos constitucionais aos povos indígenas. Esse recorte não é neutro: ele delimita o período em que a retomada de terras se consolida como ação política dos povos indígenas do Nordeste, do início da atuação do Cimi na região até o momento em que essa luta ganha reconhecimento formal no texto constitucional.
O segundo fio, memória, se constrói por meio da história oral, com quatro entrevistas de vida realizadas aos primeiros coordenadores do Cimi-NE e outros atores indigenistas. Essas narrativas dialogam com 8 documentos institucionais avulsos, como cartas e ofícios trocados entre o Cimi, órgãos públicos e as comunidades retratadas.
O terceiro fio, arquivo, reúne a pesquisa que sustenta o livro: uma seleção de mais de 150 fotografias registradas por agentes do Cimi presentes no acervo; documentos institucionais; 37 matérias de 28 edições dos periódicos da instituição — Boletim do Cimi, Porantim, Mensageiro; e mais 23 matérias, clipadas em 7 volumes, da série anual Povos Indígenas no Brasil (CEDI/ISA) - todos acessados por meio do Armazém Memória. Há ainda mais 11 documentos do Arquivo Nacional e da Comissão Nacional da Verdade sobre a espionagem do regime militar contra o movimento indígena, disponíveis no Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN) — as duas principais plataformas de acesso ao conteúdo reunido na pesquisa.
